As condições meteorológicas são uma das possibilidades que serão analisadas na investigação sobre a queda do helicóptero que levava o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas na Serra de Santa Catarina. A aeronave desapareceu na tarde de segunda-feira (21) e foi localizada cerca de 24 horas depois, nesta terça-feira (22). Todos os cinco ocupantes morreram.
Na região onde os destroços foram encontrados, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido um alerta vermelho, classificação de "grande perigo", para tempestades. A previsão indicava possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros em um único dia, ventos acima de 100 km/h e queda de granizo.
Para Eduardo Pellizzaro, piloto comercial, especialista em Segurança Operacional pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e pesquisador aeronáutico, o cenário meteorológico pode ter desempenhado um papel no acidente. Ele ressalta, porém, que somente a investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) poderá determinar as circunstâncias da queda e o peso das condições do tempo no episódio.
"Havia o deslocamento de uma frente fria muito intensa naquela região, entre a serra catarinense e o litoral. Vimos que muitas aeronaves fizeram longos desvios para contornar essa formação, mas tudo indica que o helicóptero colidiu frontalmente com a frente fria", afirmou, em conversa com o jornal O Globo.
Segundo o especialista, a investigação deverá considerar uma combinação de fatores. "Agora cabe à investigação do Cenipa entender o quanto isso influenciou o acidente. Mas são sempre vários fatores numa cadeia de eventos que leva a um acidente", explicou.
Tempo pode ter afetado comunicação com a aeronave
Pellizzaro também aponta que as condições meteorológicas podem ter relação com a perda do sinal do helicóptero. "Existem alguns sistemas diferentes que atuam na geolocalização de uma aeronave. Quando ela voa normalmente, ela emite um sinal que se chama transponder, que dá a identificação de altura, velocidade,
Morador relata mudança no tempo após desaparecimento
Marcos Daniel Valadares, de 42 anos, empresário e caçador de javalis que ajudou nas buscas por conhecer a geografia da região, também relatou mudanças nas condições do tempo naquele período. Segundo ele, por volta das 13h de segunda-feira, quando o helicóptero desapareceu, ainda não chovia no ponto onde estava. O cenário, porém, teria mudado pouco depois.
"Durante esse período em que eles estavam sobrevoando, a nossa visão aqui de baixo estava de um tempo bom, que piorou mais tarde. Mas lá em cima não sabemos como estava. De repente o temporal já estava se preparando, mas no período do desaparecimento ainda não estava chovendo", falou, também ao O Globo.